segunda-feira, 27 de junho de 2016

Universidade de Brasilia – UNB
Instituto de artes – IDA
Departamento de artes cênicas – CEN
Bacharelado










A Brincante que mora em mim,
registro do despertar.





Natalia Lins Solorzano
: 120162580



Brasília

2016



Introdução

            A preparação corporal do ator é definidora para o seu fazer teatral. Durante a graduação em Interpretação Teatral na Universidade de Brasília se tem a oportunidade de estudar e experimentar diversas formas e técnicas teatrais. Para cada técnica há uma necessidade de um preparo corporal distinto, por vezes complementares, para a atuação.
            Em contraponto, está relação do brincante para o seu fazer teatral, que parte de sua formação social e pessoal aliada a necessidade do brincar. Similar a diversidade de formas das teatralidades estudadas na academia, há a diversidade das brincadeiras populares brasileiras. Para todas uma técnica inventada ou aprendida dos grandes brincantes, os mestres, sempre acompanhada dos valores da comunhão, do compartilhar conhecimento.
            Entendendo o contexto teatral acadêmico e popular há que se perceber a complementariedade das duas formas de expressão para o preparo do corpo. Para melhor ilustrar esse quadro, aqui será apresentado o diálogo entre Teatro de Terreiro e o Teatro estudado na academia.
Teatro de Terreiro, teatro feito no quintal, no terreiro, feito para ser brincado e sambado. O termo ‘Teatro de Terreiro’ foi criado por Mestre Salustiano em Pernambuco para definir a brincadeira Cavalo Marinho. O termo, herdado e apropriado pelo Mestre de Samba Pisado Tico Magalhães, é também a definição da brincadeira brasiliense do grupo Seu Estrelo e o Fuá de Terreiro, chamada Roda.
           
Objetivo

Geral
Definir os exercícios da preparação corporal e energética no Teatro de Terreiro como complementares a preparação corporal do ator no Teatro acadêmico.

Especifico
·         Descrever os exercícios do Teatro de Terreiro
·         Diferenciar os conceitos de brincantes e ator
·         Demonstrar a utilização e apropriação corporal do Teatro acadêmico e do Teatro de Terreiro

Justificativa
           
            A partir da compreensão da relevância da preparação corporal dentro da academia, é possível buscar outras influências que complementem essa formação. Os exercícios e valores vivenciados no teatro de Terreiro trazem a luz o cuidado e a percepção humana na preparação física do ator. Dessa forma, esse trabalho busca o diálogo do fazer acadêmico e popular enquanto potencial de crescimento artístico compartilhado.

Metodologia

Para melhor embasamento teórico será realizado uma pesquisa bibliográfica a partir de 2010 dos assuntos Cultura Popular e Teatro de Terreiro, utilizando as seguintes palavras chaves: Preparação física, Teatro de Terreiro, Teatro Dança, Performance, Cultura popular.
Também será feito pesquisa videográfica a partir de 2005 dos assuntos preparação corporal, utilizando as seguintes palavras chaves: Cultura popular, Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro.
Complementando a metodologia, com um registro pontual, serão realizadas 20 entrevistas com brincantes, atores, mestres populares e mestres acadêmicos. Nas entrevistas contarão perguntas relacionadas a preparação corporal e vivência na cultura popular e/ou na academia.


Referencias
DOCUMENTÁRIO resultado da Caravana Seu Estrelo. Retratos de um povo inventado.
GLUSBERG, Jorge. A arte da performance. Editora Perspectiva, SP, 2013
FERNANDES, Ciane. Pina Bausch e o Wuppertal Dança-Teatro repetição e transformação. AnnaBlume editora, SP, 2007.
LOBO, Lenora e Cássia Navas. Teatro do movimento um método para o intérprete criador. Editora Ltda, Bras
COLLA, Ana Cristina. Da minha janela vejo...relato de uma trajetória pessoal de pesquisa no LUME. Editora Hucitec, SP 2005.
MINI DOC. sobre o grupo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro.
TINHORÃO, José Ramos. Cultura Popular temas e questões. Editora 34, SP, 2001
LIGIÉRO, Zéca. Corpo a corpo – estudo das performances brasileiras. Garamond. RJ, 2011.


Possíveis Orientadores

Fernando Villar
Luciana Hartman
Roberta Matsumoto
Graça Veloso

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Solicitação de orientador- Camila Franco

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
INSTITUTO DE ARTES
DEPARTAMENTO DE ARTES CÊNICAS
LICENCIATURA E BACHARELADO
Camila Silva Franco -13/0141500


Os Estímulos da Direção Para Potencialização de Trabalho do Ator

INTRODUÇÃO:
Diante das variedades existentes na direção de um processo, faz-se necessário aprofundar e entender a importância do diretor, quanto orientador, na construção do trabalho do ator e na estimulação que o mesmo recebe, tanto externa quanto internamente.
OBJETIVOS:
O diretor como orientador tem papel crucial no desenvolvimento do processo criativo de seus atores, entendendo que podem existir particularidades e individualidades e encontrando a melhor maneira de estimula-los de forma interna e externa. Porém, é importante destacar; até que ponto o diretor se torna um bom mentor e até onde ele pode ir para que não iniba o trabalho do ator.
JUSTIFICATIVA:
Destinado a todos os atores que estão em constante transformação, tanto profissionalmente, quanto academicamente, o estudo dos estímulos causados pela direção é de extremo valor para uma melhor construção criativa.
METODOLOGIA/ESTRATÉGIAS/PRÁTICAS
- Levantamento bibliográfico;
- Entrevistas;
-  Analise de processo criativo;
- Auto-observação.
PRINCIPAIS REFERÊNCIAS:
BARBA, Eugenio. A Arte Secreta do Ator. É realizações. 2002.
STANISLAVSKI, Constantin. A Preparação do Ator. Civilização Brasileira. 2014.
BONFITTO, Matteo. O ator compositor.  Perspectiva. 2003
POSSÍVEIS ORIENTADORES (CINCO EM ORDEM DE PREFERÊNCIA)
1. Léo Sykes
2. Suliam Vieira
3.Nitza Teneblat

4. Simone Reis

Solicitação de orientador na diplomação - Bruno Pupe

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
INSTITUTO DE ARTES
DEPARTAMENTO DE ARTES CÊNICAS
LICENCIATURA E BACHARELADO



FD – Formulário de Diplomação
SOLICITAÇÃO DE ORIENTADOR NA DIPLOMAÇÃO

NOME MATRÍCULA:
Bruno Pupe Vieira
140017747

TÍTULO PROVISÓRIO:
Um ator dentro da rede: Presença cênica de um interprete no meio cibernético. 

INTRODUÇÃO:
As possibilidades dentro do teatro com relação as novas tecnologias que surgem todos os dias são inúmeras.  Esse trabalho tenta explanar como se dá a relação do ator em conjunto com a tecnologia sem perder a essência da apresentação ao vivo, mas sim na fronteira entre teatro e cinema. Além da transmissão desse material e a aceitação do mesmo por meio da internet. 

OBJETIVOS:
Perceber os limites da presença cênica do interprete enquanto a performance ao vivo e a performance em vídeo, tendo como objeto de estudo a minha performance dentro do projeto de diplomação. E também a relação entre as duas dentro do processo criativo.  

JUSTIFICATIVA:
Ha uma relação criativa muito clara entre o processo de atuação no âmbito teatral (palco) e no cinematográfico dentro do teatro performativo. E dentro da estética, que eu acredito ser muito potente, em um discurso contemporâneo o uso da tecnologia no teatro. 

METODOLOGIA/ESTRATÉGIAS/PRÁTICAS:
Auto-Etimologia registrada em vídeo para comparação entre a potencia cênica, dentro do treinamento de ator, para gerar cenas audiovisual e teatrais. 
Gravações de cenas iguais dentro do parâmetro teatro X cinema e pesquisar por meio de entrevista as diferentes potencias da cena dentro do processo criativo.
Comparar espetaculos que dialogam com essa estetica como "E se elas fossem para Moscou?" da Christiane Jatahy e "Misanthrofreak" do Rodrigo Fischer.

PRINCIPAIS REFERÊNCIAS:
"A arte computacional e teoria Ator-Rede: Actantes e associações intersubjuntivas em cena." Carlos Praude
"O que é virtual" e "Cibercultura" de Pierre Lévy
"Teatro, Cinema e Internet: Poéticas audiovisuais do inacabado." Fábio Cordeiro.
"Por uma antropologia da imagem." Hans Belting
"Sobre arte, técnica, linguagem e política." Walter Benjamin

POSSÍVEIS ORIENTADORES (CINCO EM ORDEM DE PREFERÊNCIA):
1. Roberta Matsumoto
2. Leo Sykes
3. Cesar Lignelli
4. Sônia Paiva
5. Marcus Mota

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Solicitação de orientador na diplomação (Breno Uriel)

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
INSTITUTO DE ARTES
DEPARTAMENTO DE ARTES CÊNICAS
LICENCIATURA E BACHARELADO



FD – Formulário de Diplomação
SOLICITAÇÃO DE ORIENTADOR NA DIPLOMAÇÃO

NOME MATRÍCULA:
Breno Uriel Saraiva Constantino
12/0156261

TÍTULO PROVISÓRIO:
Don't  be a DRAG - just be a QUEEN

INTRODUÇÃO:
Enquanto para alguns "performance" e "drag queen" podem ter significações diferentes, eu prefiro encontrar uma junção entre os dois. Ir além do que seja uma performance drag queen, mas que seja uma drag queen em performance. Uma drag queen pode ser um ato político, um ato de resistência e existência. Ao encontrar a performance, pode-se ir além das apresentações nos palcos e tornar-se um trabalho muito mais explorado do que se possa imaginar.

OBJETIVOS:
Fazer uma conexão entre dois lugares de pesquisa, resultando em um diferente modo de visão do que se espera que seja uma drag queen.
Levantar o questionamento e reflexão daquilo que sai do "clichê" e chega sob uma nova perspectiva.

JUSTIFICATIVA:
Facilmente podemos encontrar drag queens que fazem shows em boates, arrasam num look e fazem o público rir. Eu quero chegar em um outro local dessa vertente, onde a performance se transforma no foco de tudo. A partir daí ela tem uma mensagem a ser transmitida. 

METODOLOGIA/ESTRATÉGIAS/PRÁTICAS:
Através da experiência e vivência.
Estudos e análises de pesquisas relacionadas a esse trabalho.

PRINCIPAIS REFERÊNCIAS:
VIDEOGRAFIA
RuPaul's Drag Race 
Acadêmia de Drag
Paris Is Burning
Dzi Croquettes

POSSÍVEIS ORIENTADORES (CINCO EM ORDEM DE PREFERÊNCIA):
1. Cyntia Carla
2. Simone Reis
3. Fernando Villar
4. Graça Veloso
5. 

Formulário de diplomação Nina Roberto

NOME E MATRÍCULA
Nina Roberto de Figueiredo Costa 
13/0128538

INTRODUÇÃO
Esta pesquisa propõe a análise do papel do ator na catarse, partindo da trajetória do herói proposta na Poética de Aristóteles, bem como das suas influências na atualidade e da função social da catarse.
Reflete as tangencias e fricções entre a arte e a psicologia e seus efeitos na percepção do público enquanto sujeitos passíveis de catarse.

OBJETIVOS
Reconhecer a importância do ator enquanto agente e sujeito catártico;
Apresentar relações entre os elementos teatrais e a psicologia tanto para os agentes teatrais quanto para os espectadores e a comunidade acadêmica;
Contribuir para a ampliação das áreas de pesquisa que abordam teatro e psicologia;
Investigar o fenômeno bitransitivo da catarse a partir das intersecções entre as artes cênicas e a psicologia;

JUSTIFICATIVA
Percebo a ainda tímida produção bibliográfica e de discurso sobre o tema psicologia e teatro e que as pesquisas encontradas pouco se verticalizam. A psicologia e a arte caminham para alguns objetivos convergentes e, portanto, desejo aprofundar algumas semelhanças entre a psicologia e o teatro. Na necessidade de expandir os caminhos de pesquisa dialógica das áreas em questão, anseio gerar novos materiais de estudo.
A descoberta das potencialidades do ator e da atriz enquanto agentes e sujeitos catárticos pode expandir seus inventários poético-expressivo-técnicos, empoderando-os para os processos criativo-sócio-políticos.
Portanto, a pesquisa busca dinamizar as vias de comunicação entre as áreas buscando ampliar os discursos para um ganho mútuo.

METODOLOGIA
A base da pesquisa se dará por levantamento, análise e revisão de bibliografias na área de psicologia clínica, psicodrama, artes cênicas e outras áreas de saber;
Análise da atriz pesquisadora por meio da auto-etnografia;
Estudo de casos das pessoas envolvidas no processo em questão;                  
Entrevistas com atores e público;

PRINCIPAIS REFERENCIAS
A poética de Artistóteles
Joseph Campbell 
Jacob Levy Moreno

Schutz & Schutz

POSSÍVEIS ORIENTADORES
1. Fernando Villar
2. Nitza Teneblat
3. Macos Motta
4. Roberta Matsumoto
5. Felicia Johanson

terça-feira, 21 de junho de 2016

Formulário de Diplomação - Brenno Ricciardi



Universidade de Brasília
Instituto de Artes
Departamento de Artes Cênicas
Licenciatura e Bacharelado


FD – Formulário de Diplomação
Solicitação de Orientador na Diplomação
Aluno: Brenno Da Costa Ricciardi
Matrícula: 09/40895


Título provisório:
Sonoridades em trânsito: a Alquimia entre o Teatro e a Música


Introdução:
Teatro e Música são linguagens irmãs, com fronteiras nem sempre aparentes. Aonde começa o teatro? E onde termina a música? São inúmeras as formas de uni-las em prol da criação artística.
Antes de adentrar no universo teatral minha formação é musical. Sempre me interessei pelo diálogo entre essas duas linguagens e como uma é capaz de alimentar a outra. Como uma canção é capaz de gerar uma cena e vice-versa.  
Show de música com elementos cênicos, musicalidade no teatro com instrumentos e a voz, sonoplastia, ambientação sonora, estímulos físicos através dos sons. Essas pontes são o fio condutor deste trabalho.

Objetivos:
            Minha proposta é aprofundar a análise da alquimia entre essas duas linguagens, fazendo um paralelo com minha prática diária acerca delas, proporcionando conhecimento e ferramentas valiosas para o prosseguimento do meu trabalho após a graduação.


Justificativa:
Numa sociedade baseada na visão, a audição vem como estímulo diferenciado para a busca da criação artística. Os sons nos tocam de forma diferenciada, sensibilizando-nos para a compreensão da fala e também da música.           
Minha experiência com essas linguagens evidenciam a potencialidade principalmente do som, mais até do que da palavra falada, na busca da conexão com o público.

Metodologia/Estratégias/Práticas:
            Basearei minha pesquisa em grupos musicais e teatrais que já utilizam dessa alquimia para a criação artística. Livros, teses, artigos, filmes, entrevistas e minha experiência também farão parte da pesquisa.


Principais referências:

BUDASZ, Rogério. Teatro e Música na América Portuguesa. Curitiba, 2008
MOTTA, Nelson. Música, humana Música. Salamandra Editorial, Rio de Janeiro, 1980
PEASLEE, Richard and SILVERMAN, Stanley. Dialogue: Music and Theatre. Performing Arts Journal Vol. 1, No. 1 (Spring, 1976), pp. 40-50
VITTORI, Ceres. Antonin Artaud: performance como poesia do corpo sonoro. Periódico de pós-graduação em Artes Cênicas n.45, 2012
MACHADO CHAVES, Marcos. Observações Sobre a Trilha Sonora Teatral em Diálogos. Periódico de pós-graduação em Artes Cênicas. N.18 2015
MARTINEZ, José Luiz. Música e representação no Kabuki, Teatro anticonformista. Revista do Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul n. 24, 2004
RAMOS, Enamar. Um corpo musical. Periódico do programa de pós-graduação em Artes Cênicas UniRio. N.1, 2011
CASTILHO, Jacyan. Por uma pedagogia musical no fazer teatral. Periódico do programa de pós-graduação em Artes Cênicas UniRio. N.1, 2011
ALEIXO, Fernando.Corporeidade da Voz - O Teatro Transcende- N. 12.
Blumenau: FURB, Divisão de Promoções Culturais, 2003.
SOBROSA RAMOS, Mariane. POR UM TEATRO EM FLUXO: uma prática em busca de eurythmia.
BRECHT, Bertolt. Estudos Sobre Teatro. Nova Fronteira

ORIENTADO:
Fernando Villar

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Ficha do Pré-projeto de monografia


  
Universidade de Brasília
Instituto de artes
Departamento de artes cênicas
Licenciatura e bacharelado
FD – Formulário de Diplomação
Solicitação de orientador na diplomação
Aluna: Isabella de Andrade Vieira
Matrícula: 12/0121069




Título provisório:
Encantos pela palavra - A construção dramatúrgica e as possíveis conexões entre literatura e teatro






Introdução
A dramaturgia contemporânea abriga conceitos e possibilidades cada vez mais amplos, tirando a supremacia do texto – encontrada em outros tempos da criação teatral – e trazendo novas definições, como: dramaturgia da luz, dramaturgia do ator, dramaturgia do corpo, dramaturgia do movimento, dramaturgia coletiva, dramaturgia colaborativa, entre outros. Neste trabalho, escolhi como foco a dramaturgia que se desenvolve a partir do texto e com base na criação escrita. Neste ponto, procuro ampliar as possibilidades e encontrar as conexões entre o texto literário e sua adaptação teatral. Teatro e Literatura caminham sempre muito próximos, principalmente quando a ponte é o texto. Teatro é literatura, pode-se dizer, literatura dramática. Em papel, o texto teatral estaria ainda grávido de um espetáculo cênico, por isso considerado um intermediário que se completa no palco - ou no imaginário do leitor. 

As novas possibilidades de produção para o teatro levam atores, autores, bailarinos, diretores e outros profissionais do meio artístico a  repensarem suas certezas e ampliarem o seu vocabulário criativo. A dramaturgia a partir do texto e com foco no universo literário é mais uma delas. No cenário atual, é preciso que autores e escritores que têm por objetivo a escrita para a encenação teatral, tenham em mente a descentralização do texto e as novas formas de criação de cenas e diálogos para o palco. Ainda que o texto não tenha a supremacia dos séculos passados, é possível que apareça como importante eixo de criação e orientação para atores. É perceptível, atualmente, que a chegada e ascensão de um novo determinado estilo de criação, desenvolvimento e criação de espetáculos, não precisa inutilizar ou diminuir a utilização de outras plataformas criativas.

Objetivos
Pretendo, com o presente trabalho, ampliar meus estudos acerca das relações entre dramaturgia e literatura, além de me colocar em um importante espaço de pesquisa atual, que é o da dramaturgia. Acredito ainda que o aprofundamento do tema poderá ampliar as minhas ferramentas para desenvolver trabalhos práticos e projetos que envolvam os campos de pesquisa citados.

É possível perceber que o conceito de dramaturgia se expandiu e é preciso se empenhar no estudo de toda a prática teatral para entender suas possibilidades. O encanto pela palavra me aproximou do que pode ser chamado de dramaturgia do texto, ou dramaturgia do autor, ainda que sem pensar em sua soberania sobre outros aspectos e elementos do espetáculo. O texto literário e dramático podem encontrar semelhanças na presença de enredo, personagens, clímax e narrativa. O que muda é o suporte e plataforma em que o leitor ou espectador terá acesso às imagens e ambientação da história contada e, pretendo, com esta pesquisa, entender cada vez mais as possibilidades de cada plataforma. Ao adaptar textos e estruturas literárias, pensadas para o leitor e não para o espectador, é preciso deixar claro de que maneira as imagens escritas serão levadas para o palco.

Vale lembrar que nenhum destes estilos: narrativo, literário, épico, poético ou dramático, é superior ou inferior ao outro. Todos são responsáveis por contar histórias e trazer à tona fatos, imagens, personagens, experiências e reflexões, o que muda são os meios utilizados e as características para dar vida a cada um. A junção dos gêneros, utilizando o teatro para dar vida a textos mais literários ou utilizando a leitura para aqueles teatrais, é sempre bem-vinda e capaz de produzir criações ricas, dinâmicas e diversas, utilizando-se das palavras, gestos, ações e pensamentos criados pelo autor.

Entre as perguntas levantadas durante a comparação destes dois universos interligados estão: Como a palavra pode se transformar em imagem? De que maneira o texto é transformado em ação? Como criar cenários, figurinos e ambiente climático a partir do texto descritivo? Como desenvolver personagens e características físicas a partir do texto narrativo e descritivo? O que o dramaturgo, ator e encenador podem capturar da criação feita pelo autor? Como construir textos com possibilidades ricas de leitura e interpretação para o palco? Pretendo responder estas perguntas ao longo de minhas pesquisas.

Justificativa
Ao longo do curso de artes cênicas na UnB pude perceber, e confirmar, que o texto é o elemento que me desperta mais interesse de estudo na cena teatral. Através da dramaturgia e de textos dramáticos acredito ser possível unificar e reunir meus diferentes eixos de estudo e pontos de interesse e trabalho: o teatro, a comunicação e a literatura. Junto às pesquisas teóricas, tento trazer certas experiências com a literatura e dificuldades práticas confrontadas em relação ao texto dramatúrgico ao longo do curso. Sendo assim, os temas são, para mim, de extrema importância.

Ao tentar construir o meu primeiro texto para teatro pude notar, depois dos questionamentos já citados acima, que minha escrita era ainda excessivamente literária, com fraseado em ritmo poético e grande quantidade de texto, tornando difícil a criação de ações para o palco. Iniciei então um processo de busca por criação de diálogos, cortes de textos, improvisações de cena e de atores e mistura de elementos que pudessem enriquecer o uso da palavra, para que esta pudesse continuar a ser de extrema importância na criação do espetáculo, no entanto, sem ofuscar os outros elementos cênicos primordiais.

Em contrapartida ao texto literário, percebo (ainda norteada por minhas práticas, observações e experimentos pessoais) que a escrita dramática pede que as ideias, características e enredos sejam apresentados de maneira mais sintética através dos diálogos. A diminuição textual é substituída pela presença dos elementos cênicos como luz, cenário, ações, coreografias, músicas, figurino, objetos, olhares e movimentos corporais. Sendo assim, na criação do texto para teatro, é preciso levar em conta que todos estes elementos podem substituir, enriquecer ou modificar a presença das palavras. A criação de imagens e de um texto que possa ser transformado em ações no palco passa a ser a principal busca durante o processo criativo. Pretendo entender melhor estes caminhos e possibilidades durante o desenvolvimento deste trabalho.

Metodologia/estratégias/práticas
Pretendo basear minha pesquisa em livros, teses e artigos que tenham como tema tanto a escrita, quanto a dramaturgia, literatura, adaptação de livros em peças e a escrita para o teatro. Além da pesquisa teórica, realizarei entrevistas com nomes conhecidos da dramaturgia brasiliense e, possivelmente, autores e dramaturgos de outras localidades. Pretendo ainda entrevistar pesquisadores que estudem o tema, a fim de entender como enriquecer meus próprios estudos e quais os caminhos possíveis para a prática textual.

Como ponto de partida dos estudos tomei a dissertação de mestrado da aluna Laura Alves Moreira, orientada pelo professor Marcus Mota no programa de pós-graduação em artes da Universidade de Brasília. O trabalho citado foi publicado em 2012 e tem como tema: Dramaturgias contemporâneas: as transformações do conceito de dramaturgia e suas implicações. A presente dissertação serviu como base para alguns questionamentos sobre a dramaturgia contemporânea e suas diferentes e diversas possibilidades.

Possível trabalho prático
Ao final das pesquisas pretendo ainda desenvolver um material prático, em suporte online, que possa abrigar a pesquisa desenvolvida, além de outros materiais da dramaturgia brasiliense. No site seria possível encontrar vídeos e entrevistas com autores, dramaturgos e professores da cidade, além de textos e reflexões realizados ao longo da pesquisa para aprofundar e expandir melhor o presente tema.

Principais referências

CAMPOS SOUTO, Paulo Gustavo. Poesia, prosa e dramaturgia. 2003.
FILHO PROENÇA, Domício: Literatura brasileira – ensaios, crônicas, teatro e crítica. São Paulo, Ed. Falcão, 1986.
FLORY VILLIBOR, Alexandre: Literatura e teatro – encontros e desencontros formais e históricos. Maringá, Revista JIOP, 2010.
SABARICH, Lola e DINTEL, Felipe: Como melhorar um texto literário – um manual prático para dominar as técnicas básicas de narração. São Paulo, Ed. Gutenberg, 2014.
OURIQUE PEREIRA, João Luis: Teatro e literatura – entre o texto e o espetáculo. Pelotas, Caderno de letras e comunicação, 2010.
SINISTERRA SANCHIS: Da literatura ao palco – dramaturgia de textos narrativos. 2016.
VOGLER, Christopher: A jornada do escritor – estruturas míticas para escritores. Rio de Janeiro, Ed. Aleph, 1998.

POSSÍVEIS ORIENTADORES

1.      Marcus Mota